Essa madrugada não foi nada tranquila, eram tantos passos martelando em meus ouvidos, que tentei abafar aqueles sons cobrindo a cabeça ... Que droga, não aguento mais essa loucura, quem será que mora aqui ao lado ? Preciso ter uma conversa com essas pessoas ! Amanheci descoberta e meus braços doloridos, mal queria me levantar da cama, me senti um pouco fraca, liguei para o trabalho para avisar o motivo de minha ausência . Preparei uma xícara de chá e sentei-me na poltrona, ao recostar, senti alguém me observando, olhei para a janela e percebi um vulto . E, tentando ser rápida, corri para a porta, mas, não avistei ninguém . Dei de ombros, poderia ser a árvore, que o vento, insistente, fustigara . Resolvi ir até o lado de fora, e qual foi minha maior surpresa : No chão estava o meu adorado livro, que havia sido perdido no ônibus ! Mas, como poderia ser ? Quem sabia que este livro é meu ? Como ? Como ? Me perdi em dúvidas, imaginando rostos, mas, ninguém poderia saber que aquele livro era meu . Ninguém sabia que eu andava com livro na bolsa ! Logo me voltou à mente aquele vulto na janela ... Quem era, o que era ? Não foi a árvore ! Alguém jogou aquele livro alí ! MAS, QUEM ?
Eram 16:00hs quando tomei uma decisão : Ir até a casa ao lado . Eu precisava saber quem era ou eram, aquela, aquelas pessoas ... Então, fui até lá e toquei a campainha . Uma senhora muito simpática me atendeu e convidou-me a entrar . "Sente-se menina, fique a vontade, vamos tomar um chá". Contei a ela que somos vizinhas de parede, e ela apenas sorriu serena . E, logo percebi que havia uma mocinha no alto da escada, me observando, acenei para ela e ela saiu muito rápido . Então, perguntei a senhora quem era, e ela respondeu que era sua adorável neta, Julie. E, no mesmo instante, me disse também seu nome, Dereon . Senhora Dereon . Ela mora com seus netos e seu único filho, Marlon . Mas, conheci apenas Senhora Dereon e, de longe, sua arisca neta, Julie . Sai de lá com uma ótima impressão, e também louca por aqueles adoráveis biscoitinhos de aveia ! . Foi uma tarde agradável .
Uma grande tempestade me fez apressar os passos em direção a minha porta, quando trombei com um rapaz de capuz preto, olhar estranho e rosto pálido . "Que susto, desculpe"- Eu disse. Ele apenas acenou sutilmente a cabeça e saiu a passos largos em direção a casa da Sra. Dereon . Imaginei ser o neto dela. Corri para dentro e fui tomar uma ducha quente, para depois, me jogar na cama .
Mais uma rotina de trabalho, e Míriam estava ansiosa para sair mais cedo, Míriam e suas festas ! "Pode ir, não se preocupe" . Rimos cúmplices . A cafeteria estava praticamente vazia, apenas senhor Valter e senhora Lourdes estavam alí, degustando suas panquecas e trocando farpas entre si . Aqui é um lugar tranquilo, em um bairro onde o lago é a maior diversão, piqueniques, casais apaixonados e ler um livro alí, são algumas coisas que a maioria aqui faz , existem muitas outras alternativas para se divertir aqui, mas, eu gosto do lago . Eu o vejo pela janela dos fundos, ao longe .
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